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domingo, junho 05, 2011

“É possível acordar um homem que dorme, mas nunca um que finge estar dormindo” Gandhi

Consumidores, feirantes, amigos:
NO MEIO DO CAMINHO HÁ UMA PEDRA:  
não uma simples pedra,
mas um DIAMANTE, em seu estado bruto!




Em setembro de 2010 veio à público a PMI 05/2010, concorrência para parceira público privada conhecida como Procedimento de Manifestação de Interesse, instaurada pela Prefeitura de Belo Horizonte, com o objetivo de procurar parceiros financeiros para uma suposta "revitalização" do Mercado Distrital do Cruzeiro. Desde então o Mercado do Cruzeiro, como é conhecido, passou a ser alvo de calorosas disputas entre conflitantes interesses públicos, particulares e comunitários.

O Mercado do Cruzeiro é o ponto central das discussões, mas, a verdadeira estrela desta história é um lote de 15.000 m2 de área pertencente ao Município de Belo Horizonte e situado em um dos pontos mais nobres e valorizados da Regional Centro Sul. Cabe ressaltar que em área contigua a este precioso lote e com cerca de 17.000m2 de grande potencial turístico e de lazer, a Prefeitura de Belo Horizonte também é proprietária do Parque Amilcar Vianna Martins, a ser integrado ao referido lote para posterior operação e manutenção pelo concessionário escolhido.

Mas, para entender o quebra cabeça que envolve este lote precioso é preciso voltar alguns anos e agregar fatos relativos a outros dois mercados distritais, hoje extintos, o da Barroca e o de Santa Tereza.

O FIM DA ERA DOS DISTRITAIS?


Os três mercados surgiram na mesma época, pelos anos 70 e por iniciativa da também extinta COBAL, com o objetivo de retirar das ruas da Metrópole as feiras livres que a cada semana armavam suas barracas em diversos bairros, em uma itinerância muito bem aceita pela coletividade mas que desagradava aos governos da ditadura.

Os próprios feirantes, acostumados à lida da montagem e desmontagem das barracas, ao empacotar e o desempacotar das mercadorias e às agruras do tempo, entre outros incômodos ( como a falta de água e energia), não viram com bons olhos a oferta de abrigo em prédios construídos para este fim. Temiam especialmente a possível perda de seus fregueses e assíduos e fiéis. Não foi, portanto, sem alguma relutância que aceitaram a imposição da mudança.

No entanto, o temor dos permissionários foi sendo gradativamente vencido pelo sucesso da iniciativa, já que os mercados não só atraíram freguesia mas tornaram-se verdadeiros “xodós” dos bairros em que estavam instalados, sendo adotados também pelos bairros do seu entorno.

A relação dos moradores de Belo Horizonte com seus mercados distritais sempre foi  cercada de afetividade. Os bairros se orgulhavam de seus mercados e até disputavam entre si qual seria o mais bem equipado e melhor. No entanto, as constantes crises financeiras por que passou o País, a inflação e a disseminação de grandes redes de supermercados e sacolões tiveram algum impacto na freguência dos distritais, que, apesar disso, mantiveram grande parte da fiel freguesia que os mantinha vivos e economicamente saudáveis.

Dois outros motivos têm sido apontados para explicar alguma  diminuição de frequentadores: o primeiro, uma percepção de que estes mercados  estariam praticando  preços um pouco acima da média, pelo diferencial do frescor e da boa qualidade.  O outro motivo eram as instalações desgastadas pelo uso e pela visível falta de manutenção. 
E o que estaria  por trás do abandono dos distritais?

PEQUENA HISTÓRIA DE UMA MORTE ANUNCIADA
ou
O GOOGLE NÃO NOS DEIXA MENTIR

Belo Horizonte, uma cidade em crescimento, presencia a impressionante valorização de seus imóveis. Este crescimento tem seus custos pois demanda os últimos lotes que ainda abrigam casas ou pequenos prédios, dando vazão ao necessário adensamento e verticalização dos espaços e favorecendo o recrudescimento da implacável especulação imobiliária.

Chegamos assim ao cerne da questão que envolve a desativação do mercado de Santa Tereza, a demolição do mercado da Barroca e o perigo que hoje cerca o vivo e pulsante Mercado Distrital do Cruzeiro.

A Prefeitura de Belo Horizonte deseja lapidar o diamante bruto. No caso do  terreno do Distrital do Cruzeiro, tão valioso,  que não permite à  Administração Pública ouvir e atender os clamores de seus frequentadores e vizinhos quando exigem uma revitalização de fato e não sua destruição (que certamente viria sob a égide deste projeto supostamente "salvador da Pátria").  Aliás a Prefeitura de Belo Horizonte, capitaneada por Márcio Lacerda, tem mostrado uma fome cada vez mais voraz por seus "diamantes brutos" e a todo momento são anunciadas nos veículos de comunicação as novas negociações (vendas, trocas e concessão de terrenos públicos à iniciativa privada). Foi o que aconteceu como Distrital do Barroca e o que pode vir acontecer também com o Distrital de Santa Tereza, caso a população não se levante para defendê-lo, assim com tem se levantado para defender o Distrital do Cruzeiro.  Com relação ao Mercado de Santa Tereza, seria o caso de se perguntar que  PMI ou PPP  porá fim aos anseios da comunidade daquele bairro, já que tantos e tão bons projetos já foram pensados, sugeridos e acatados e nunca levados a seu termo nem na gestão de Pimentel e nem nesta gestão de Márcio Lacerda?

Os prezados leitores deste artigo ficariam surpresos se recorressem ao GOOGLE para conhecer as idas e vindas desta Prefeitura que só faz aquilo que quer, que apenas ouve o que quer ouvir, que apenas vê o que lhe interessa e que se "arma" em conchavos e parcerias que  apenas beneficiam ao "capital". Bastaria recorrer ao  GOOGLE para entender que nenhum projeto foi levado à cabo em Santa Tereza ( e nem no Cruzeiro)  por que nenhum traria aos cofres do erário o lucro sonhado por prefeitos que se colocam na contra mão das gestões inteligentes e sustentáveis, da economia criativa, da modernidade, para se deterem exclusivamente no ganho financeiro e no lucro, desprezando os desejos e necessidades dos cidadãos que os elegeram. Sobre este tipo de postura vale lembrar o texto do Conselheiro Superior do Instituto dos Arquitetos do Brasil, e autor de “Ecologizando a cidade e o planeta”, Maurício Andrés quando denuncia que “o que faz um  escritório de arquitetura projetar prédios desadaptados do ambiente em que vão se instalar - como é o caso do mega empreendimento previsto para o lote do Mercado do Cruzeiro - são fatores como a inconsciência sobre os impactos do seu projeto, a inconsciência ecológica, o atendimento a demandas de clientes inconscientes e a Ganância ( com G maiúsculo mesmo). Já Marieta Maciel – Coordenadora da Associação Brasileira dos Arquitetos Paisagistas - ABAP/MG e Conselheira Superior do IAB-MG, em artigo ainda inédito escrito para o "Ambiente Urbano/Jornal do IAB-MG) afirma que “as grandes obras devem prever praças e espaços livres para uso público, com troca de energia, de vida e de continuidade, por serem estes, aspectos relevantes para a vida urbana. E neste contexto não se pode desprezar o paisagismo, que tem como objetivo a organização, a construção e a melhoria da qualidade de vida dos afetados por uma obra, minimizando seus impactos negativos e os problemas ambientais”.

Diante de tudo isto caberia perguntar:

QUE FUTURO QUEREMOS PARA O NOSSO MERCADO?

Será que queremos que seja demolido para dar lugar ao imenso bloco de cimento armado ocupando todo o privilegiado terreno de 15.000m2 à sua volta? Será que queremos que a vista do mirante do Parque Amilcar Vianna seja assassinada e transferida pra o último andar dos hotéis que a Prefeitura insiste em inaugurar antes da Copa? Será que pretendemos ver um grupo de feirantes acuados pelo estilo “se correr o bicho pega se parar o bicho come” dos nossos prefeitos sendo definitivamente expulsos de seus negócios pela pressão do que virá? Será que queremos a descaracterização e morte do último dos Distritais e que ainda é ponto de encontro, atração turística, referência afetiva e cultural do bairro Cruzeiro e desta cidade? Será que queremos os inevitáveis impactos do trânsito decorrente da instalação de mais um Shopping Center na Regional Centro Sul? Será que cairemos no engodo de um projeto que impressiona pelo excesso de vidros temperados, verdes e quentes, e áreas supostamente belas e restritas aos hóspede do tais hotéis? Será que calaremos diante da postura ditatorial e tirânica de um prefeito conivente com a ganância de seus parceiros comerciais?

Se queremos dizer sim a estas questões, então podemos cruzar os braços.

Mas se pretendemos que o Mercado Distrital do Cruzeiro receba as bem vindas verbas da Copa do Mundo para um real projeto de revitalização, que a ele agregue um Centro Gastronômico e Cultural , sustentável e orgânico, criando uma praça com pergolados sombreados, bancos, pistas de jogging, ciclovia, equipamentos de ginástica, palco e estrutura para prática de atividades artístico culturais e esportivas, que revitalize o Parque Amilcar Vianna sem sacrificar o mirante e sua maravilhosa vista e ao mesmo tempo crie espaços para outras agradáveis manifestações em seu tombado Prédio da Caixa D’Água ( existem lindos projetos neste sentido), se é assim, então, é hora de desconfiar da nossa inércia.

É hora de sair da zona de conforto em que nos acomodamos e fazer saber o digníssimo Prefeito Márcio Lacerda que a cidade de Belo Horizonte rejeita o suntuoso projeto de seu camarada Júlio Amaro, da Santec Engenharia. É hora de arregaçar as mangas e fazer valer o nosso direito cidadão, assinar o abaixo assinado que está sendo veiculado na internet pelo link , disseminá-lo, mandar cartas para vereadores, deputados, Ministério Público, acordar a coletividade, informar, abrir o verbo em redes sociais, nos blogs e na imprensa.

É hora de destituir o poder de algumas pessoas sem ética que estão se beneficiando com a possibilidade deste negócio.


É hora de acreditar na luta para que possamos reverter o processo de construção de um mega empreendimento que nos  causa claustrofobia apenas de olhar para suas fotos...

Enfim é hora de ser como David diante do Golias...
E para isso, contamos com todos os cidadãos de BH!